Exame de sangue completo: quais exames podem fazer parte e quando é necessário jejum?
Entenda o que as pessoas chamam de exame de sangue completo, quais testes podem ser solicitados e como se preparar corretamente para a coleta.
Resposta rápida
"Exame de sangue completo" é uma expressão popular, não um pacote único que serve para todo mundo. O conjunto de exames depende do objetivo da avaliação, da idade, dos sintomas, do histórico e dos fatores de risco de cada pessoa. Hemograma, glicemia, colesterol, função renal, função hepática e TSH estão entre os testes que podem ser solicitados, mas nenhum deles é obrigatório para todos. O jejum varia conforme os exames incluídos no pedido: alguns pedem preparo, outros não. Por isso, confirme o preparo com o laboratório antes da coleta.
Ao receber um pedido de exame de sangue completo, muita gente olha aquela lista e não sabe o que cada linha significa. Hemograma, glicemia, perfil lipídico, TGO, TGP. Parece outro idioma. E quando o resultado chega com algum valor marcado em vermelho, a ansiedade fala mais alto que a informação.
Este guia foi escrito para mudar isso. Ao terminar a leitura, você vai entender o que costuma compor um painel de sangue de rotina, como se preparar para a coleta, o que os principais valores costumam indicar e quando é hora de voltar ao médico sem demora. Sem linguagem de manual: só o que é útil e direto.
Entender os próprios exames não é tarefa exclusiva dos médicos. É um hábito que transforma você de espectador em participante do próprio cuidado.
O que é um exame de sangue completo?
Quando uma pessoa procura um "exame de sangue completo", em geral ela quer uma avaliação ampla da saúde. A busca faz todo sentido. Só que, do lado de cá do balcão, essa expressão não corresponde ao nome de um exame único.
Não existe um teste universal capaz de avaliar tudo. O que existe é um conjunto de exames que o profissional seleciona conforme a necessidade de cada paciente. Dois adultos da mesma idade podem sair do consultório com pedidos bem diferentes, e isso não é falha de ninguém: é o cuidado se ajustando a quem está na frente do médico.
Na prática, um painel de rotina costuma reunir vários testes bioquímicos realizados na mesma coleta. Dependendo do que foi solicitado, a coleta pode exigir mais de um tubo, porque cada grupo de exames usa aditivos específicos. Mas tudo é feito com uma única punção, em uma só ida ao laboratório.
Exames laboratoriais não devem ser pedidos de forma indiscriminada. Testes sem indicação clínica geram achados de significado incerto, que levam a novos exames, custo e ansiedade sem benefício. Quem define a lista é o médico que avalia o seu caso, não uma tabela pronta da internet.
Exame de sangue completo é o mesmo que hemograma?
Não. Essa confusão é comum e vale desfazer com calma.
O hemograma completo é um exame específico, que avalia as células do sangue. Ele é uma parte importante do painel, mas é só uma parte.
O que o hemograma avalia
O hemograma analisa três linhagens celulares:
- hemácias, as células que transportam oxigênio. É aqui que aparece a hemoglobina, parâmetro central na investigação de anemias;
- leucócitos, as células de defesa, que costumam se alterar em quadros infecciosos, inflamatórios e em algumas doenças do sangue;
- plaquetas, ligadas à coagulação, cujas alterações merecem atenção tanto para mais quanto para menos.
Alterações no hemograma precisam ser interpretadas junto com sintomas, exame físico, histórico e os demais resultados. Um valor discretamente fora da faixa, isolado, raramente significa doença.
E há um ponto que costuma surpreender: o hemograma não avalia glicose, colesterol, tireoide, fígado nem rins. Para cada um desses, existem exames próprios. Por isso hemograma completo não é sinônimo de avaliação laboratorial completa.
Quais exames podem fazer parte?
Os exames abaixo aparecem com frequência em avaliações de rotina. Estão aqui como exemplos, não como pacote obrigatório. Nenhuma pessoa precisa fazer todos, e nenhuma lista serve para todo mundo:
- hemograma;
- glicemia de jejum;
- hemoglobina glicada;
- colesterol total e frações;
- triglicerídeos;
- creatinina;
- ureia;
- transaminases (TGO e TGP) e outros testes hepáticos;
- TSH e T4 livre;
- ferritina e avaliação do ferro;
- vitamina B12;
- vitamina D, quando indicada;
- eletrólitos;
- exame de urina, quando fizer parte da avaliação;
- outros exames, conforme sintomas e fatores de risco.
A frequência com que esses exames devem ser repetidos também não é a mesma para todos. Ela depende da idade, das condições de saúde já conhecidas, dos fatores de risco e do julgamento clínico. Repetir tudo todo ano, por hábito, não é o mesmo que cuidar bem da saúde.
| Exame | O que costuma avaliar | Jejum |
|---|---|---|
| Hemograma | Células do sangue: hemácias, leucócitos e plaquetas | Isoladamente costuma não exigir; confirmar |
| Glicemia de jejum | Glicose no momento da coleta | Requer preparo específico |
| Hemoglobina glicada | Média da glicose dos últimos meses | Geralmente não exige jejum |
| Perfil lipídico | Colesterol e triglicerídeos | Pode variar conforme a orientação médica |
| Creatinina e ureia | Função renal | Depende do conjunto solicitado |
| TGO, TGP e outros hepáticos | Fígado e vias biliares | Confirmar preparo e interferentes |
| TSH e T4 livre | Função da tireoide | Confirmar preparo e interferentes |
| Ferritina e ferro | Estoques e metabolismo do ferro | O preparo pode variar |
| Vitaminas (B12, D) | Possíveis deficiências | Varia conforme o teste |
Referência geral. O preparo definitivo é o que consta no seu pedido e o que o laboratório informar.
Para que servem os principais exames?
Antes dos números, um aviso que vale para tudo o que vem a seguir: os valores de referência variam conforme o laboratório, o método usado, a idade e o sexo. Os intervalos citados aqui são exemplos didáticos. Use sempre a faixa impressa no seu próprio resultado e leve o exame ao médico.
Hemograma: o mapa das suas células
Na linhagem das hemácias, a hemoglobina é o parâmetro mais observado. Como referência aproximada, costuma ficar em torno de 13,5 a 17,5 g/dL em homens e 12,0 a 16,0 g/dL em mulheres. Valores abaixo dessas faixas levantam a hipótese de anemia, que tem causas variadas, da deficiência de ferro a doenças crônicas.
Os leucócitos, células de defesa, costumam ficar entre 4.000 e 11.000/µL. Contagens bem acima disso apontam com frequência para infecção ou inflamação; bem abaixo, podem indicar desde infecções virais até alterações da medula óssea. As plaquetas, ligadas à coagulação, costumam variar entre 150.000 e 450.000/µL, e alterações merecem atenção nas duas direções.
Glicemia, colesterol e triglicerídeos
A glicemia de jejum é o marcador mais simples para rastrear diabetes e pré-diabetes. Como referência geral, valores até 99 mg/dL são considerados normais; entre 100 e 125 mg/dL entram na faixa de glicemia de jejum alterada, o chamado pré-diabetes; a partir de 126 mg/dL, o resultado atende ao critério laboratorial de diabetes, que precisa de confirmação e de avaliação médica antes de qualquer conclusão.
O perfil lipídico avalia um risco que não dá sintomas enquanto cresce. Como referência ampla, o colesterol total desejável costuma ser situado abaixo de 200 mg/dL e os triglicerídeos abaixo de 150 mg/dL. Já as metas de LDL não são iguais para todo mundo: elas mudam conforme o risco cardiovascular de cada pessoa, e é o médico quem define qual meta se aplica ao seu caso. O HDL mais alto costuma ser associado a menor risco.
Função hepática, renal e tireoide
As transaminases TGO (AST) e TGP (ALT) refletem a saúde do fígado. Elevações leves são comuns em gordura no fígado, uso regular de álcool ou após exercício intenso. Quando ultrapassam de forma consistente o limite superior do laboratório, a investigação precisa ser aprofundada. A fosfatase alcalina é outro marcador hepático que, elevado de forma persistente, pode apontar para questões ósseas ou de vias biliares.
A creatinina avalia a função renal e costuma ser interpretada junto com a taxa de filtração glomerular estimada, não isoladamente. A ureia complementa essa leitura. Já o TSH mede o funcionamento da tireoide e é, com frequência, o primeiro marcador a sair da faixa antes de qualquer sintoma aparecer. TSH elevado levanta a suspeita de hipotireoidismo; TSH suprimido, de hipertireoidismo. Em ambos os casos, um valor isolado não fecha diagnóstico.
Exame de sangue completo precisa de jejum?
Depende dos exames que estão no pedido. Essa é a resposta honesta, e ela é mais útil que qualquer regra fixa. Não existe um tempo único de jejum para exame de sangue que valha para todo pedido.
O jejum existe porque a alimentação altera, de verdade, a concentração de algumas substâncias no sangue. Depois de uma refeição, a glicose sobe e os triglicerídeos sobem. Se o objetivo do exame é medir um valor basal, comer antes muda o retrato.
Só que isso não vale para todos os testes. O hemograma, por exemplo, tecnicamente não depende de jejum. A hemoglobina glicada reflete uma média de meses e, em geral, também não exige. Já a glicemia de jejum, como o próprio nome diz, pede preparo.
O perfil lipídico mudou, e muita gente não soube
Durante décadas, colesterol e triglicerídeos eram sinônimo de 12 horas sem comer. Isso mudou. O consenso brasileiro para a normatização da determinação laboratorial do perfil lipídico, construído por sociedades médicas e de medicina laboratorial, flexibilizou a exigência de jejum obrigatório para o perfil lipídico, incluindo os triglicerídeos, deixando a critério do médico solicitante os casos em que o jejum ainda é desejável.
Ou seja: não aplique automaticamente a regra das 12 horas a tudo. Se o seu pedido traz a orientação de jejum, siga o que está escrito. Se não traz, confirme com o laboratório em vez de decidir por conta própria.
Antes de sair de casa
Confirme o preparo específico de todos os exames do pedido. Quando vários testes são realizados na mesma coleta, deve-se seguir a orientação mais restritiva informada pelo laboratório, sem prolongar o jejum além do necessário.
Quantas horas de jejum são necessárias?
Quem procura por jejum para exame de sangue quase sempre quer um número fechado. Ele não existe: o tempo depende do que foi pedido e da orientação do laboratório que vai fazer a coleta.
Na prática, quando há indicação de jejum, os períodos mais comuns ficam na faixa de 8 a 12 horas. O jejum começa a contar a partir da última refeição, não a partir da hora de dormir.
Há um detalhe que pouca gente conhece: jejum muito prolongado também atrapalha. Passar muito além do tempo orientado provoca alterações metabólicas próprias, que podem distorcer resultados. Como referência de segurança, evita-se ultrapassar 14 horas. Mais jejum não significa exame melhor.
O que pode interferir nos resultados?
Água durante o jejum
A água pura costuma ser tratada de forma diferente de alimentos e de bebidas com calorias, e na maior parte das situações a ingestão de água em quantidade habitual é aceita durante o jejum. Ainda assim, existem exames e condições clínicas com orientações próprias, inclusive quanto ao volume de líquidos. Não trate isso como regra automática: confirme no seu caso.
Café, chá, chiclete e cigarro
Café, mesmo sem açúcar, não é água. Ele contém substâncias que podem interferir em determinados exames, então a orientação habitual é evitá-lo durante o jejum, salvo indicação em contrário. O mesmo vale para chá e para qualquer bebida que não seja água.
Chiclete, inclusive o sem açúcar, estimula a digestão e é geralmente desaconselhado no período de jejum. Escovar os dentes com água, sem engolir creme dental, costuma ser aceito. Fumar antes da coleta pode alterar alguns parâmetros e também é desaconselhado.
Álcool e exercício
O álcool eleva de forma temporária as enzimas hepáticas e os triglicerídeos, gerando resultados que não refletem a sua situação real. Por isso, a recomendação usual é evitar bebida alcoólica nos dias que antecedem a coleta, seguindo o prazo informado pelo laboratório.
Exercício físico intenso nas horas anteriores também altera marcadores, como leucócitos e enzimas musculares. Se você treina pesado, vale perguntar antes se convém suspender o treino na véspera.
Medicamentos e suplementos
Regra que não tem exceção
Não suspenda medicamentos por conta própria antes de um exame. Interromper anti-hipertensivo, antidiabético, hormônio tireoidiano ou qualquer outro remédio sem orientação pode trazer risco maior do que qualquer interferência no resultado.
Informe ao laboratório e ao médico tudo o que você usa, inclusive vitaminas, suplementos e produtos naturais. Alguns interferem diretamente em determinados testes: a biotina, presente em suplementos de cabelo e unha, é um exemplo conhecido de substância que pode alterar resultados de exames hormonais em certos métodos. Se houver dúvida sobre tomar ou não a medicação no dia da coleta, pergunte a quem pediu o exame.
Crianças, gestantes, idosos e pessoas com diabetes
Nesses grupos, o tempo de jejum precisa ser individualizado, e a regra do adulto saudável não se aplica automaticamente.
- crianças costumam ter tempos de jejum menores, conforme a idade e o exame;
- gestantes devem seguir a orientação do pré-natal;
- idosos e pessoas com condições crônicas podem precisar de ajustes;
- pessoas com diabetes não devem prolongar o jejum por conta própria.
Se você tem diabetes, não altere insulina nem medicação por causa do exame e confirme o preparo antes de sair de casa. Fique atento a sinais de hipoglicemia durante o jejum, como tremor, suor frio, tontura, fraqueza, palpitação ou confusão.
Diante de sintomas importantes, interrompa o jejum, coma algo e procure atendimento. Em emergência, procure a UPA mais próxima ou ligue para o SAMU no 192.
E se eu quebrar o jejum?
Acontece, e não é motivo para vergonha. O que não vale é esconder.
Avise na recepção antes da coleta. Com essa informação, a equipe verifica quais exames do seu pedido são afetados e o que pode ser feito: em alguns casos, dá para coletar o que não depende de jejum e remarcar o restante; em outros, o melhor é voltar em outro dia. O pior cenário é coletar em silêncio e receber um resultado que não representa você, e que pode gerar conduta baseada em informação errada.
Como se preparar para a coleta?
Checklist antes da coleta
- confira o pedido e veja se entendeu todos os exames;
- confirme se há jejum e por quanto tempo;
- pergunte sobre água e sobre medicação no dia;
- informe todos os medicamentos, vitaminas e suplementos em uso;
- evite exercício intenso quando houver essa orientação;
- evite bebida alcoólica no prazo orientado;
- durma bem na véspera;
- chegue com antecedência, sem correria;
- leve documento com foto e o pedido médico;
- avise se já teve dificuldade de coleta, desmaio ou tontura;
- avise se quebrou o jejum;
- comunique qualquer sintoma durante o atendimento.
O que acontece depois da coleta
A amostra é identificada com os seus dados ainda na sala de coleta. Conforme os exames pedidos, o sangue é distribuído em um ou mais tubos, cada um com o aditivo adequado ao teste. Depois vem o processamento, que varia de exame para exame.
O prazo de liberação não é o mesmo para todos os testes: alguns ficam prontos em poucas horas, outros levam mais tempo. E o resultado, sozinho, não é diagnóstico. Ele precisa ser interpretado junto com a sua história e o seu exame clínico, por quem pediu.
Quando procurar avaliação médica?
Alguns resultados pedem retorno ao médico sem esperar a próxima rotina. É o caso, por exemplo, de glicemia em faixa diagnóstica de diabetes, transaminases bastante elevadas, plaquetas muito baixas ou leucócitos muito alterados para mais ou para menos. Nenhum desses achados define sozinho um diagnóstico, mas todos merecem uma leitura médica próxima.
Vale a pena repetir, porque é o erro mais comum de quem lê o próprio exame: um único valor alterado raramente define alguma coisa. O papel do médico é contextualizar aquele número dentro da sua história, dos seus sintomas e dos demais resultados do painel.
E quando está tudo normal?
Resultado normal não é o fim da história, é o começo de uma linha de base. A maior utilidade dos exames de rotina aparece na comparação ao longo dos anos. Um colesterol que sobe de forma consistente, mesmo dentro do limite, é uma informação clínica relevante que só aparece quando existe histórico. O mesmo vale para um TSH que caminha ano após ano em direção ao limite superior.
Mas atenção a um ponto importante: exames normais não garantem que está tudo bem. Eles reduzem a probabilidade de algumas condições, não de todas. Sintomas que persistem merecem avaliação mesmo com laboratório normal, em uma consulta com clínico geral.
Sintomas importantes não devem aguardar a realização de exames de rotina. Dor no peito, falta de ar, desmaio, perda de peso rápida sem explicação, sangramento ou febre persistente pedem avaliação médica direta, e não uma ida ao laboratório por conta própria.
Quando o médico pede exames além do painel básico
O painel de rotina é ponto de partida, não teto. Conforme os resultados ou os sintomas, a investigação se amplia. Diante de suspeita de alteração da glicose, entram a hemoglobina glicada e, quando indicado, o teste oral de tolerância à glicose. Se as enzimas hepáticas estão elevadas sem causa evidente, o passo seguinte costuma incluir outros marcadores hepáticos e, com frequência, uma ultrassonografia abdominal. Para anemia sem causa identificada no hemograma, entram ferritina, ferro sérico, vitamina B12 e folato.
Exames como PSA e vitamina D não são recomendados de forma automática para todo mundo em determinada idade. Eles têm indicações específicas e, no caso do PSA, a decisão de fazer ou não passa por uma conversa entre médico e paciente sobre benefícios e riscos do rastreamento. Cada exame adicional tem uma indicação própria: é o médico quem decide quais peças faltam no quebra-cabeça.
Perguntas frequentes
O que é um exame de sangue completo?
É uma expressão popular usada para descrever uma avaliação laboratorial ampla, feita a partir de uma única coleta. Não é o nome de um exame específico. O conjunto de testes é definido pelo médico conforme idade, sintomas, histórico e fatores de risco de cada pessoa.
Existe um único exame de sangue que avalia tudo?
Não. Nenhum exame isolado avalia toda a saúde, e nenhuma lista de exames serve para todas as pessoas. Cada teste responde a uma pergunta específica, e é a avaliação clínica que define quais perguntas precisam ser feitas no seu caso.
Exame de sangue completo é o mesmo que hemograma?
Não. O hemograma completo é um exame específico, que avalia hemácias, leucócitos e plaquetas. Ele costuma fazer parte do painel, mas não avalia glicose, colesterol, tireoide, fígado nem rins. Para cada uma dessas áreas existem exames próprios.
Quais exames costumam fazer parte de um check-up?
Depende inteiramente da pessoa. Entre os testes mais frequentes estão hemograma, glicemia, perfil lipídico, creatinina, transaminases e TSH. Outros podem entrar conforme sintomas e fatores de risco. Não existe pacote obrigatório, e repetir tudo todo ano por hábito não é sinônimo de bom cuidado.
Todo exame de sangue precisa de jejum?
Não. O hemograma, por exemplo, tecnicamente não depende de jejum. Já a glicemia de jejum pede preparo. Como vários exames costumam ser feitos na mesma coleta, o laboratório informa qual orientação vale para o seu pedido.
Quantas horas de jejum são necessárias?
Não há um número único. Quando há indicação de jejum, os períodos mais comuns ficam entre 8 e 12 horas, contadas a partir da última refeição. Evita-se ultrapassar 14 horas, porque o jejum muito prolongado também altera resultados. Confirme sempre o tempo com o laboratório.
Hemograma completo precisa de jejum?
Isoladamente, o hemograma costuma não exigir jejum. Mas se ele estiver no mesmo pedido de exames que exigem preparo, vale seguir a orientação mais restritiva informada pelo laboratório para não precisar voltar outro dia.
Exame de colesterol precisa de jejum?
Nem sempre. O consenso brasileiro sobre a determinação laboratorial do perfil lipídico flexibilizou a exigência de jejum obrigatório para colesterol e triglicerídeos, deixando a critério do médico solicitante os casos em que ele ainda é desejável. Siga o que está escrito no seu pedido e confirme com o laboratório.
Glicemia precisa de jejum?
A glicemia de jejum, como o nome indica, é medida após um período sem alimentação, e o preparo é parte do exame. O tempo é informado pelo laboratório. Se você tem diabetes, não prolongue o jejum por conta própria.
Hemoglobina glicada precisa de jejum?
Em geral, não. Ela reflete uma média da glicose dos últimos meses e não depende da última refeição. Ainda assim, confirme o preparo, porque outros exames do mesmo pedido podem exigir jejum.
Pode beber água durante o jejum?
A água pura costuma ser tratada de forma diferente de alimentos e bebidas calóricas, e na maioria das situações a ingestão habitual de água é aceita durante o jejum. Existem exames e condições clínicas com orientações próprias, inclusive quanto ao volume. Confirme no seu caso em vez de assumir como regra fixa.
Café sem açúcar quebra o jejum?
Café não é água. Mesmo sem açúcar, ele contém substâncias que podem interferir em alguns exames, e a orientação habitual é evitá-lo durante o jejum, salvo indicação em contrário do laboratório.
Chá sem açúcar quebra o jejum?
Vale o mesmo raciocínio do café. Chá, mesmo sem açúcar, não é considerado equivalente à água durante o jejum. A recomendação usual é evitar qualquer bebida que não seja água.
Chiclete interfere no exame?
Sim, pode interferir. Mastigar chiclete, inclusive o sem açúcar, estimula a digestão, e por isso costuma ser desaconselhado no período de jejum.
Pode escovar os dentes antes da coleta?
Escovar os dentes com água, sem engolir o creme dental, costuma ser aceito e não é tratado como quebra de jejum. Na dúvida, pergunte no laboratório.
Posso tomar meus medicamentos antes do exame?
Não suspenda nada por conta própria. Muitos medicamentos de uso contínuo podem ser mantidos normalmente, mas quem decide é o médico que pediu o exame ou a equipe do laboratório. Interromper um remédio sem orientação pode trazer risco maior do que qualquer interferência no resultado.
Vitaminas e suplementos interferem?
Alguns interferem, sim. A biotina, comum em suplementos para cabelo e unha, é um exemplo conhecido de substância que pode alterar resultados de exames hormonais em determinados métodos. Informe tudo o que você usa, inclusive produtos naturais, antes da coleta.
Bebida alcoólica interfere no exame?
Sim. O álcool eleva de forma temporária as enzimas hepáticas e os triglicerídeos, o que pode gerar um resultado que não reflete a sua situação real. A orientação usual é evitar bebida alcoólica nos dias que antecedem a coleta, conforme o prazo informado pelo laboratório.
Posso fazer exercício antes do exame?
Exercício intenso nas horas anteriores altera marcadores como leucócitos e enzimas musculares. Se você treina pesado, pergunte se convém suspender o treino na véspera para não distorcer o resultado.
O que fazer se eu quebrar o jejum?
Avise na recepção antes da coleta. A equipe verifica quais exames do seu pedido são afetados: em alguns casos dá para coletar o que não depende de jejum e remarcar o restante. O pior caminho é coletar sem avisar e receber um resultado que não representa você.
Crianças precisam cumprir o mesmo tempo de jejum?
Não. Em crianças, o tempo de jejum é menor e varia conforme a idade e o exame solicitado. Confirme a orientação antes de sair de casa e evite jejum prolongado sem necessidade.
Onde fazer exame de sangue na Parangaba?
A Clínica Saúde 360 Care fica na Av. Godofredo Maciel, 711-B, na Parangaba, em Fortaleza, e realiza coleta de exames laboratoriais a partir das 06h, o que ajuda quem precisa colher em jejum antes do trabalho. Os exames disponíveis, os valores e os horários são informados pela equipe pelo WhatsApp.
Aviso importante
Este artigo tem caráter educativo e não substitui consulta, solicitação individualizada de exames ou interpretação médica dos resultados. O preparo pode variar conforme os exames solicitados e a orientação do laboratório.
Os valores de referência citados são exemplos e mudam conforme o laboratório e o método. Em caso de sintomas intensos ou piora súbita, procure atendimento de urgência. Em emergência, ligue para o SAMU no 192.
Fontes consultadas
- Sociedades Brasileiras de Análises Clínicas, Diabetes, Cardiologia/Departamento de Aterosclerose, Endocrinologia e Metabologia e Patologia Clínica/Medicina Laboratorial. Consenso brasileiro para a normatização da determinação laboratorial do perfil lipídico, versão 1.13.
- Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial. Jejum para perfil lipídico é flexibilizado.
- Brasil. Ministério da Saúde. Linha de cuidado do diabetes mellitus tipo 2 no adulto.
- Sociedade Brasileira de Diabetes. Diagnóstico de diabetes mellitus, Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes.
- Brasil. Ministério da Saúde; Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Protocolos de encaminhamento da atenção básica para a atenção especializada, v. 1: Endocrinologia e Nefrologia.
- Revista Médica Clínica Las Condes. Interpretación clínica del hemograma.